O “sonho da casa própria” não é apenas um ditado popular; para muitos brasileiros, representa o auge da independência financeira. Contudo, transformar esse desejo em realidade raramente é uma tarefa simples ou barata. É aqui que entra o financiamento imobiliário, uma ferramenta para quem não possui o valor total de um imóvel para pagamento à vista.
Comprar uma casa ou apartamento envolve valores expressivos e uma burocracia que pode assustar quem não está preparado. Imóveis são bens complexos que exigem avaliações técnicas, inspeções e uma série de documentos.
Para a grande maioria da população, recorrer aos bancos é o caminho mais viável. Mas você sabe exatamente como esse processo funciona, quais são as taxas envolvidas e como garantir a aprovação do seu crédito?
Neste artigo do site Muito Rico, vamos falar sobre o financiamento imobiliário. Você entenderá desde os conceitos básicos e a documentação necessária até as diferenças entre os sistemas de amortização (SAC e Price) e dicas para conseguir as melhores taxas. Confira!
O que é e como funciona o financiamento imobiliário?
Em termos simples, o financiamento imobiliário é uma modalidade de empréstimo destinada exclusivamente à aquisição, construção ou reforma de imóveis residenciais ou comerciais.
Como a maioria das pessoas não dispõe de todo o capital para comprar uma propriedade à vista, elas recorrem a instituições financeiras.
O banco paga o valor ao vendedor do imóvel, e o comprador paga ao banco em parcelas mensais, acrescidas de juros e correções, por um longo período — que pode chegar a 35 anos.
Geralmente, os bancos financiam até 90% do valor do imóvel. Isso significa que, para um apartamento de R$ 200 mil, você precisaria ter cerca de R$ 20 mil para a entrada, financiando os R$ 180 mil restantes.
Os recursos para esses empréstimos no Brasil vêm de diversas fontes, sendo as principais a Caderneta de Poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O sistema é regulado pelo Banco Central e possui regras específicas dependendo da modalidade escolhida.
Quem pode solicitar um financiamento?
Para dar entrada em um crédito imobiliário, existem alguns requisitos básicos que as instituições financeiras exigem:
- Idade: É necessário ter 18 anos ou mais.
- Renda Comprovada: Você precisa demonstrar capacidade de pagamento das parcelas.
- Situação Cadastral: Seu CPF deve estar regularizado. Estar negativado em órgãos de proteção ao crédito (como SPC ou Serasa) é um grande impedimento.
Uma dica valiosa é aderir ao Cadastro Positivo. Ele reúne seu histórico de bom pagador (contas de luz, água, internet pagas em dia), o que pode aumentar sua pontuação de crédito (score) e facilitar a aprovação do financiamento com melhores condições.
Tipos de Financiamento: SFH vs. SFI
No Brasil, existem dois grandes sistemas que regem o crédito imobiliário. Entender a diferença entre eles é crucial para saber em qual categoria seu perfil e o imóvel desejado se encaixam.
Sistema Financeiro de Habitação (SFH)
Criado em 1964, é o modelo mais tradicional e utiliza recursos da poupança e do FGTS. Ele possui regras mais rígidas, mas geralmente oferece taxas de juros limitadas a 12% ao ano.
- Valor do imóvel: Até R$ 1,5 milhão.
- Limite de financiamento: Cobre até 80% do valor do imóvel.
- Comprometimento de renda: As parcelas não podem ultrapassar 30% da renda mensal.
- Uso do FGTS: Permitido para amortizar a dívida ou dar entrada (seguindo regras específicas).
Sistema Financeiro Imobiliário (SFI)
Instituído em 1997 para flexibilizar o mercado, o SFI atende a demandas que não se enquadram no SFH.
- Valor do imóvel: Para propriedades acima de R$ 1,5 milhão.
- Limite de financiamento: Pode chegar a 90% do valor.
- Flexibilidade: Permite financiar imóveis não residenciais e a taxa de juros é livre, negociada entre cliente e banco.
- Pessoas Jurídicas: Empresas também podem financiar por este sistema.
SAC, Price ou Sacre: entenda as tabelas de amortização
Quando você financia um imóvel, precisa escolher como pagará a dívida. Essa escolha define se sua parcela começará alta e diminuirá com o tempo, ou se manterá estável.
Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante)
É o modelo mais comum no Brasil. A amortização (o valor que efetivamente abate a dívida principal) é constante todos os meses. O que muda são os juros, calculados sobre o saldo devedor que diminui a cada mês.
- Resultado: As parcelas começam mais altas e vão diminuindo ao longo do tempo. O valor total pago em juros no final costuma ser menor do que na Tabela Price.
Tabela Price
Neste sistema, as parcelas são calculadas para serem fixas do início ao fim (embora sofram correções monetárias no Brasil).
No começo, a maior parte da parcela serve apenas para pagar juros, e uma pequena parte amortiza a dívida.
- Resultado: A vantagem é começar pagando uma parcela menor do que na SAC, o que pode ajudar na aprovação do crédito se a renda for justa. Porém, o saldo devedor cai mais lentamente.
Sistema Sacre
É um híbrido. As parcelas sobem levemente no início e depois caem, como uma “escada”. A amortização aumenta com o tempo, fazendo com que os juros caiam.
Passo a passo para a aprovação do crédito
O processo pode ser longo, levando em média 40 dias para a liberação do dinheiro. Veja as etapas principais:
- Simulação e Análise de Crédito: O banco avalia seu perfil, renda e histórico para pré-aprovar um limite de crédito.
- Escolha do Imóvel: Com o crédito pré-aprovado, você define qual imóvel comprar.
- Avaliação do Engenheiro: O banco envia um profissional para vistoriar o imóvel, garantindo que ele vale o preço pedido e está em boas condições.
- Análise Jurídica: Uma verificação minuciosa da documentação do comprador e do vendedor para garantir que não há dívidas ou processos que impeçam a venda.
- Assinatura e Registro: Após a aprovação final, o contrato é emitido. Você deve assiná-lo e registrá-lo no Cartório de Registro de Imóveis, pagando o ITBI (imposto municipal).
- Liberação dos Recursos: Com o contrato registrado entregue ao banco, o dinheiro é liberado ao vendedor.
Custos extras que você precisa conhecer
Um erro comum é juntar dinheiro apenas para a entrada e esquecer dos custos paralelos. O Custo Efetivo Total (CET) do financiamento inclui não apenas os juros, mas também seguros obrigatórios (MIP – Morte e Invalidez Permanente e DFI – Danos Físicos ao Imóvel) e taxas administrativas.
Além disso, reserve verba para a burocracia estatal:
- ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis): Varia por município, podendo chegar a 3% do valor do imóvel.
- Registro em Cartório: O valor varia conforme o preço do bem e a tabela do estado.
- Avaliação do Imóvel: Taxa cobrada pelo banco para enviar o engenheiro.
Vale a pena antecipar as parcelas?
Sim, e muito. Se sobrar um dinheiro extra (como o 13º salário ou um bônus), amortizar o financiamento é uma excelente estratégia financeira.
Você pode optar por reduzir o valor das parcelas (para aliviar o orçamento mensal) ou reduzir o prazo do financiamento (para quitar a dívida mais rápido).
Ao reduzir o prazo, você deixa de pagar os juros que incidiriam sobre aqueles meses ou anos eliminados, gerando uma economia significativa no montante final.
Além disso, é possível usar o saldo do FGTS a cada dois anos para abater o saldo devedor ou diminuir o valor das prestações.
Perguntas frequentes sobre financiamento
Posso transferir meu financiamento para outro banco?
Sim, isso se chama portabilidade de crédito. Se você encontrar um banco oferecendo taxas de juros menores do que as do seu contrato atual, pode solicitar a migração da dívida. O banco original tem o direito de fazer uma contraproposta para tentar mantê-lo como cliente.
O que acontece se eu não pagar as parcelas?
Como o imóvel fica em alienação fiduciária (o banco detém a propriedade até a quitação), a inadimplência pode levar à perda do bem. Após alguns meses de atraso, o banco pode consolidar a propriedade e levar o imóvel a leilão extrajudicial para cobrir a dívida.
Posso vender um imóvel que ainda está financiado?
Sim. Nesse caso, parte do valor pago pelo comprador será usada para quitar o saldo devedor com o banco (“interveniente quitante”), e o restante vai para o seu bolso.
Planeje seu futuro com um bom financiamento imobiliário!
O financiamento imobiliário é uma “dívida boa” quando bem planejada, pois permite a aquisição de patrimônio.
No entanto, é um compromisso de longo prazo que compromete sua renda mensal. Antes de assinar, pesquise as taxas em diferentes bancos (especialmente naqueles onde você já tem relacionamento), faça simulações e tenha uma reserva de emergência.
A casa própria é um sonho possível, e com a informação correta, você pode realizá-lo sem transformar suas finanças em um pesadelo!


