A mesada para os filhos é um tema que gera muitas dúvidas nas famílias. Qual é a idade certa para começar a falar sobre dinheiro? Que valor dar? Com que frequência: semanal, quinzenal ou mensal? Essas são perguntas comuns para pais que buscam criar filhos financeiramente responsáveis.
Dar uma mesada é muito mais do que simplesmente entregar dinheiro. É uma ferramenta poderosa de educação financeira que ensina lições valiosas sobre planejamento, poupança e consumo consciente. Ao gerenciar a própria quantia, mesmo que pequena, as crianças e os adolescentes começam a entender o valor do dinheiro e a importância de fazer escolhas inteligentes.
Este guia completo do site Muito Rico foi criado para tirar as suas principais dúvidas sobre o assunto. Aqui, você encontrará dicas práticas sobre como usar a mesada para incentivar a responsabilidade financeira desde cedo, preparando seus filhos para um futuro mais seguro e consciente.
A mesada para os filhos como ferramenta de educação
Muitos pais se perguntam se dar mesada é realmente uma boa ideia. Segundo uma pesquisa da Serasa, apenas 39% das famílias brasileiras têm esse hábito.
O estudo, divulgado em outubro de 2023, revela que a prática é mais comum entre crianças de 6 a 11 anos (54%) e que a maioria das famílias (62%) opta pela frequência mensal, com um valor médio de até R$ 100.
Uma das razões para essa falta de consenso pode ser cultural. A mesma pesquisa aponta que 56% dos adultos entrevistados não se lembram de ter conversado sobre finanças com seus pais na infância.
Felizmente, essa mentalidade está mudando: hoje, oito em cada 10 famílias afirmam discutir o tema com os filhos.
Especialistas em educação financeira concordam que a mesada é um hábito que vale a pena. Ela não é apenas uma forma de dar dinheiro, mas uma oportunidade de ensinar na prática.
Com essa ferramenta, as crianças aprendem lições importantes que levarão para a vida adulta, como:
- Planejar gastos: entender que o dinheiro é limitado e precisa ser administrado ao longo de um período.
- Poupar para objetivos: perceber que é preciso economizar para comprar algo de maior valor.
- Consumir de forma consciente: aprender a diferenciar desejos de necessidades e a tomar decisões de compra mais inteligentes.
- Lidar com frustrações: vivenciar a situação de ficar sem dinheiro após gastar tudo rapidamente.
Ao introduzir a mesada de forma educativa, você contribui para a formação de adultos mais preparados para gerenciar suas finanças, usar o crédito com responsabilidade e até mesmo começar a investir.
Primeiros passos para dar a mesada
Para que a mesada cumpra seu papel educativo, é preciso mais do que apenas entregar o dinheiro. É fundamental oferecer orientação e estabelecer regras claras. Confira as respostas para as dúvidas mais comuns sobre o tema.
Qual é a idade certa para começar?
Geralmente, por volta dos 6 anos, a criança já começa a entender o funcionamento do dinheiro e tem noções básicas de matemática. Essa pode ser uma boa fase para introduzir a mesada, de preferência com uma frequência semanal.
Qual é a frequência ideal?
A periodicidade do pagamento deve se adaptar à idade e à maturidade da criança. A noção de tempo delas é diferente da dos adultos, e um mês pode parecer uma eternidade para os mais novos.
- Até 6 anos: o dinheiro pode ser dado de forma pontual, para que a criança entenda a relação de troca ao comprar algo que deseja.
- De 6 a 7 anos: uma “semanada” é o mais recomendado. Um intervalo curto ajuda a criança a aprender a gerenciar o dinheiro em um período que ela consegue compreender.
- De 8 a 11 anos: a frequência pode passar a ser quinzenal. Isso incentiva um planejamento de médio prazo.
- A partir dos 12 anos: a mesada já pode se tornar mensal. Nesta fase, é possível até introduzir uma conta digital para menores de 18 anos, sob supervisão, para exercitar ainda mais os cuidados com as finanças.
Que valor dar de mesada?
Não existe uma regra definitiva, e o valor pode variar conforme a situação financeira da família e a quantidade de filhos. É importante não se prender ao valor que os amigos dos seus filhos recebem. Cada família tem sua própria realidade.
Uma dica é começar com um valor simbólico e aumentá-lo gradualmente, conforme a criança cresce e suas responsabilidades aumentam. O importante é que a quantia seja suficiente para cobrir pequenos gastos e permitir que sobre um pouco para poupar.
Como definir as regras?
A conversa é a parte mais importante. Antes de começar, sente-se com seu filho e explique o propósito da mesada. Deixe claro o que pode e o que não pode ser comprado com o dinheiro.
Por exemplo, materiais escolares são uma obrigação dos pais, mas um gibi ou um brinquedo pode ser comprado com a mesada. Ensine conceitos importantes, como poupar uma parte do que se ganha (cerca de 20%) para objetivos maiores ou imprevistos.
Quando a mesada pode ser prejudicial?
A mesada perde seu propósito educativo quando usada de forma inadequada. Evite associar o dinheiro a obrigações que a criança já deveria ter, como arrumar o quarto, fazer a lição de casa ou tirar boas notas. Essas são responsabilidades, não tarefas remuneradas.
Da mesma forma, a mesada não deve ser usada para cobrir necessidades básicas, como o lanche da escola. A criança pode deixar de se alimentar para economizar, o que não é saudável.
Por outro lado, para estimular o empreendedorismo, você pode oferecer um valor extra por tarefas que vão além de suas obrigações diárias, como lavar o carro ou cuidar do jardim.
Construindo um futuro financeiro saudável!
Introduzir a mesada na rotina dos seus filhos é um ato de confiança e uma excelente oportunidade para construir uma base sólida de educação financeira.
Ao permitir que eles cometam pequenos erros sob sua supervisão, você os prepara para tomar decisões mais seguras e conscientes na vida adulta.
Lembre-se que o diálogo é a chave para o sucesso. Converse regularmente sobre dinheiro, ensine a importância de poupar e demonstre pelo exemplo como ter uma relação saudável com as finanças.
Assim, com paciência e orientação, a mesada se tornará uma das lições mais valiosas que você pode oferecer!


