Os juros do cartão de crédito podem aumentar rapidamente o custo de uma dívida quando você não quita a fatura. A taxa aplicada depende da modalidade de crédito e das condições que a instituição oferece.
Neste artigo, você vai entender o que acontece quando uma fatura fica em aberto, como funciona o rotativo, quanto os juros podem representar e quais alternativas podem ajudar a reduzir o custo da dívida.
O que acontece quando você não paga a fatura inteira?
Quando você paga a fatura integralmente até o vencimento, não há cobrança de juros sobre as compras daquele ciclo.
Se você paga apenas uma parte, o saldo restante precisa ser financiado. É nesse momento que pode entrar o crédito rotativo ou o parcelamento da fatura.
O pagamento mínimo não elimina o restante da dívida. Ele permite que a instituição financie o saldo não quitado conforme as condições que ela oferece.
Como funciona o crédito rotativo?
O crédito rotativo é a modalidade que financia o saldo que ficou pendente na fatura.
Quando o cliente paga pelo menos o valor mínimo indicado, o saldo restante pode entrar no rotativo regular. Se o cliente não paga nem o mínimo, a operação passa para uma situação de inadimplência.
O rotativo também tem prazo limitado:
- pode ser utilizado por até 30 dias;
- o período termina no vencimento da fatura seguinte;
- depois disso, o cliente deve quitar o saldo ou financiá-lo em outra modalidade.
Quanto são os juros do cartão de crédito?
O crédito rotativo está entre as modalidades com taxas mais altas do mercado brasileiro.
Em junho de 2026, a taxa média do rotativo regular foi de 10,5% ao mês, equivalente a 230,4% ao ano.
No mesmo período, a taxa média do rotativo não regular chegou a 460,7% ao ano.
As taxas também variam bastante entre as instituições. Entre 1º e 8 de junho de 2026, por exemplo, as instituições informaram ao Banco Central taxas do rotativo total que iam de 0,73% a 15,96% ao mês.
Por isso, a média nacional é apenas uma referência. Você pode consultar a taxa efetivamente aplicada ao seu cartão na fatura ou no contrato.
Quanto uma dívida de R$ 1.000 pode crescer?
Uma forma simples de visualizar o impacto dos juros é considerar uma dívida de R$ 1.000 e aplicar, apenas para fins de simulação, a taxa média de 10,5% ao mês.
Sem novos pagamentos e desconsiderando outros encargos, o saldo seria aproximadamente:
| Período | Saldo aproximado |
|---|---|
| Inicial | R$ 1.000 |
| 1 mês | R$ 1.105 |
| 2 meses | R$ 1.221 |
| 3 meses | R$ 1.349 |
| 6 meses | R$ 1.817 |
A simulação utiliza juros compostos para mostrar o efeito da taxa.
Ela não representa a cobrança efetiva de um banco, porque o rotativo tem prazo limitado e o saldo pode passar para outra modalidade.
Existe limite para os juros do cartão?
Sim. Desde 3 de janeiro de 2024, os juros e encargos financeiros sobre dívidas de cartão originadas a partir dessa data não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Isso significa que, em uma dívida original de R$ 1.000, os juros e encargos financeiros podem chegar a no máximo R$ 1.000 dentro dessa regra.
O total relacionado à dívida, considerando o principal, pode chegar a R$ 2.000.
A limitação também se aplica quando o saldo do rotativo é posteriormente parcelado.
Como funciona o parcelamento da fatura?
O parcelamento é uma operação de crédito diferente do rotativo.
Nesse modelo, a instituição divide o saldo em um número definido de parcelas e estabelece uma taxa para a operação.
A taxa pode ser menor que a do rotativo, mas o custo final depende também do prazo e dos demais encargos.
Antes de aceitar uma proposta, confira:
- taxa mensal;
- taxa anual;
- número de parcelas;
- valor de cada prestação;
- valor total a pagar;
- CET da operação.
Uma parcela menor não significa necessariamente uma dívida mais barata.
Pagar o mínimo da fatura é uma boa opção?
Pagar o mínimo pode ser uma saída quando você não tem dinheiro suficiente para quitar a fatura, mas o saldo restante continua sendo financiado.
O problema aparece quando essa situação se repete por vários meses. A dívida pode permanecer por mais tempo no orçamento e consumir uma parcela cada vez maior da renda.
Se não for possível pagar o total, compare as alternativas que a instituição oferece antes de simplesmente repetir o pagamento mínimo.
Como reduzir os juros da dívida do cartão?
O primeiro passo é impedir que o saldo continue aumentando. Enquanto você paga a dívida, evite novas compras no cartão e avalie as opções disponíveis para reorganizar o débito.
Entre as alternativas possíveis estão:
- parcelamento oferecido pelo próprio banco;
- renegociação da dívida;
- empréstimo pessoal;
- outra modalidade de crédito com custo menor.
A melhor opção depende das condições oferecidas. Por isso, compare o Custo Efetivo Total (CET) e o valor final de cada alternativa.
Vale a pena trocar a dívida do cartão por um empréstimo?
Pode valer a pena quando o novo crédito tem um custo menor e a parcela cabe no orçamento.
A comparação deve considerar o valor total pago, e não apenas a taxa anunciada ou o tamanho da prestação.
Um empréstimo com juros menores pode continuar caro se você contratá-lo por um prazo muito longo.
Além disso, quitar o cartão só resolve o problema se você não voltar a acumular saldo com novas compras.
Como evitar os juros do cartão de crédito?
A principal forma de evitar os juros é pagar a fatura integralmente até o vencimento.
Algumas práticas ajudam a manter esse controle:
- acompanhar as compras ao longo do mês;
- evitar comprometer todo o limite;
- configurar alertas para o vencimento;
- controlar compras parceladas;
- reservar dinheiro para despesas recorrentes;
- manter uma reserva para imprevistos.
O limite que o banco disponibiliza não representa quanto é seguro gastar.
O que fazer quando a dívida já está alta?
Quando o saldo fica difícil de quitar, comece levantando o valor total devido e as condições de cada dívida.
Depois, compare as opções de renegociação, parcelamento e outras modalidades de crédito.
O objetivo é encontrar uma forma de pagamento com custo menor e que realmente caiba no orçamento.
Enquanto você reorganiza a dívida, evite novas compras no cartão para impedir que o problema continue crescendo.
Quanto os juros podem pesar no orçamento?
O impacto depende principalmente de três fatores:
- valor financiado;
- taxa contratada;
- tempo necessário para quitar a dívida.
Por isso, olhar apenas para o valor da parcela pode ser enganoso. Uma prestação aparentemente acessível pode esconder um prazo longo e um custo total muito maior.
Antes de contratar qualquer financiamento, confira quanto será pago ao final da operação.
Perguntas frequentes (FAQ)
Os juros do cartão podem ser cobrados mesmo que eu pague parte da fatura?
Sim. Quando você não quita a fatura integralmente, a instituição pode financiar o saldo restante, que fica sujeito aos encargos da modalidade utilizada.
O limite de 100% vale para qualquer dívida feita no cartão?
Não. A regra está relacionada aos juros e encargos do crédito rotativo e do parcelamento do saldo devedor da fatura. Ela não se aplica da mesma forma às compras parceladas com juros realizadas diretamente no estabelecimento.
O que acontece se eu não pagar nem o valor mínimo?
A operação entra em situação de inadimplência e pode gerar encargos e outras consequências previstas no contrato.
A taxa de juros pode ser diferente para cada cliente?
Sim. As condições podem variar conforme a instituição, o produto e as características da operação contratada.
Onde posso consultar as taxas cobradas pelos bancos?
O Banco Central disponibiliza consultas com as taxas que as instituições praticam em diferentes modalidades de crédito. Você também pode consultar a taxa específica do seu cartão na fatura e no contrato.
O que é o rotativo não regular?
É a situação em que o consumidor não realiza sequer o pagamento mínimo da fatura. O saldo passa a ser tratado como inadimplência.
O que devo analisar ao renegociar uma dívida?
Além do valor da parcela, observe o CET, o prazo e o valor total a pagar. Esses dados ajudam a entender o custo real da renegociação.


